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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Banho todos os dias? Estas são as únicas 3 partes do corpo que você precisa lavar diariamente


Nos últimos tempos você já cansou de ouvir sobre a importância de lavar as mãos com frequência para reduzir o risco de contrair Covid-19. Mas esfregar diariamente o resto do corpo não é necessariamente uma boa idéia. Na realidade tomar banho demais pode fazer mal. De acordo com esta médica há apenas três regiões do corpo que devem ser lavados diariamente com sabonete: as axilas, a virilha e os pés. E para o resto do corpo basta apenas enxaguar com água.

A médica Sandy Skotnicki, professora de dermatologia da Universidade de Toronto, afirmou recentemente ao The Atlantic que esfregar o corpo todo com água e sabonete pode levar a problemas como eczema e outras doenças de pele. Ela sugere que nos concentremos apenas em certas regiões: “suas axilas, virilha e pés”.

Esfregar sabonete pelo corpo inteiro aumenta o risco de matar bactérias úteis que contribuem para que o microbioma saiba diferenciar microorganismos bons e ruins, afirmou a Dra. Robynne Chutkan, fundadora do Centro Digestivo para Mulheres em Maryland, EUA à Health. Nossos organismos necessitam de bactérias específicas, disse a médica, e quando as removemos da pele com sabonete a proteção a certos vírus reduz e ficamos mais vulneráveis a doenças. “A menos que você tenha acabado de correr pela lama os únicos lugares que precisam ser ensaboados diariamente são as axilas e a virilha”, disse Chutkan. “O resto do seu corpo fica bem com um enxágue, mesmo depois de um treino suado.”

Um estudo de 2018 publicado na revista científica Science Advances descobriu que uma cepa específica de bactéria encontrada na pele de voluntários estava associada a menor risco de câncer de pele em comparação a pessoas que não possuíam a bactéria.

Mas por que devemos utilizar sabonete nas axilas, virilhas e pés, se não é uma boa fazermos o mesmo no resto do corpo? Essas regiões tem a pele muito sensível e por isso são mais susceptíveis a bactérias, fungos e pelos encravados que podem levar a infecções.

 Créditos: Hypescience

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Bactérias de cem milhões de anos são "revividas" por cientistas malucos

Cientistas “acordaram” com sucesso bactérias dormentes que estavam presas há mais de 100 milhões de anos em uma região que aparentemente não tinha absolutamente nenhuma vida no fundo do mar.
A equipe de pesquisadores investigava se micróbios poderiam viver em condições inóspitas no fundo do Pacífico.
“Queríamos saber quanto tempo os micróbios poderiam sustentar sua vida em uma quase ausência de alimentos”, afirmou o microbiólogo Yuki Morono, da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Terra-Marinha, líder da pesquisa.
A surpresa
A resposta foi clara: microorganismos que estava há cem milhões de anos presos nos sedimentos do fundo do mar foram revividos com um pouco de oxigênio e alimento.
O que é impressionante já que a enorme pressão, falta de nutrientes e oxigênio torna o fundo do mar um dos lugares mais difíceis de sobreviver.
Geralmente após um milhão de anos sob alta pressão a vida costuma fossilizar no fundo do mar, mas estes organismos resistentes estavam vivos.
“Sabíamos que havia vida em sedimentos profundos perto dos continentes, onde há muita matéria orgânica enterrada”, disse o geomicrobiólogo Steven D’Hondt, da Universidade de Rhode Island, que participou do estudo. “Mas o que descobrimos foi que a vida se estende no oceano profundo, desde o solo oceânico até o porão rochoso subjacente”.
O sedimento em que os organismos foram encontrados havia sido coletado 2010 por uma expedição ao giro oceânico do sul do Pacífico. É uma área que parece não ter vida bem no meio de correntes oceânicas ao leste da Austrália. É notória por ser uma região oceânica extremamente limitada em vida e alimentos.
A expedição utilizou o navio-sonda JOIDES Resolution para escavar 75 metros no fundo do oceano que estava a uma profundidade de 6 quilômetros. Dali foram removidos núcleos de sedimentos de onde as bactérias foram extraídas.
Foram encontrados microorganismos famintos, mas com de todas as camadas dos núcleos e até nos sedimentos mais antigos os pesquisadores puderam reanimar 99% dos microorganismos.
“No começo, eu estava cético, mas descobrimos que até 99,1% dos microorganismos depositados em sedimentos 101,5 milhões de anos atrás ainda estavam vivos e prontos para comer”, disse Morono.
Alguns microorganismos aumentaram em quatro vezes seu número e devoraram o nitrogênio e o carbono disponibilizado 68 dias após a incubação.
Não apenas no oceano; microorganismos extremamente resistentes também foram encontrados na Antártica e nos desertos mais inóspitos.


Créditos: Hypescience

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Bactérias se camuflam no corpo humano para não serem atacadas por antibióticos

Os pesquisadores da Universidade de Newcastle (Inglaterra) utilizaram técnicas de estado da arte para estudar amostras de pacientes idosos que tinham infecções urinárias recorrentes. Eles observaram como as bactérias perdem as paredes celulares para se camuflarem no corpo humano. Essas paredes são um alvo comum em vários grupos de antibióticos.
“Imagine que a parede é como se a bactéria estivesse vestindo um colete de alta visibilidade. Isso dá a elas um formato regular (por exemplo de vara ou uma esfera), tornando-a forte e protegendo-a, mas também deixando-a altamente visível, especialmente para o sistema imunológico humano e antibióticos como penicilina”, compara a pesquisadora principal, Katarzyna Michiewicz, em entrevista para o Phys.org.
“O que vimos é que na presença de antibióticos, a bactéria consegue mudar de uma forma de parede regular para um estado completamente aleatório, sem parede e em formato de L. Como efeito, escondendo o colete amarelo e o escondendo dentro de si mesma. Nessa forma o corpo não consegue reconhecer facilmente a bactéria então não a ataca, e os antibióticos também não”.
Quando estão neste formado de L, as bactérias ficam moles e fracas, mas algumas sobrevivem e se escondem no corpo até que o antibiótico esteja ausente. Aí ela reconstrói a parede celular e volta ao seu formato normal. As células de um paciente voltaram ao formato normal apenas cinco horas depois que não havia mais penicilina no corpo.
Em pacientes saudáveis, a fraqueza da célula com formato L significa que o próprio sistema imunológico da pessoa consegue matar essas bactérias, mas em pacientes fragilizados ou idosos como os que foram utilizados no estudo, essas bactérias conseguem sobreviver.
Isso pode explicar porque algumas pessoas têm infecções urinárias recorrentes.
“Para os médicos, isso pode significar levar em consideração uma combinação de tratamento, então primeiro um antibiótico que ataca a parede celular e depois um tipo diferente para qualquer célula com formado de L que esteja escondida, então um que mire no RNA ou DNA ou até a membrana que a cerca”, explica a pesquisadora.
As bactérias em formato de L também ficam invisíveis em métodos tradicionais de identificação de infecções. Para conseguir realizar este estudo e flagrar pela primeira vez a mudança de formato das bactérias, os pesquisadores usaram um método especiao de detecção osmoprotetor.
Esta observação é revolucionária, já que aponta pela primeira vez que bactérias conseguem sobreviver sem uma parede celular. O trabalho foi publicado nesta quinta-feira (26) na revista Nature Communications.
Agora os pesquisadores pretendem estender a pesquisa a pacientes que já receberam tratamento contra a infecção.
A resistência de bactérias a antibióticos foi identificada pela Organização Mundial da Saúde como uma das maiores ameaças à saúde global.

Créditos: Hypescience

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Bactérias fotossintéticas estão sendo mortas pelo plástico nos oceanos

As bactérias são muito importantes para a própria existência da vida na Terra. Através da fotossíntese, cianobactérias ajudaram a formar a nossa atmosfera bilhões de anos atrás. Ainda hoje, 10% do oxigênio que respiramos vem de apenas um tipo de bactéria no oceano. E, como acontece com todas as formas de vida na Terra, nosso estilo de vida está ameaçando estes seres. Testes de laboratório mostraram que essas bactérias que ajudam a produzir o oxigênio que respiramos são suscetíveis à poluição de plástico, de acordo com um estudo publicado na revista Communications Biology.
“Descobrimos que a exposição a produtos químicos provenientes da poluição do plástico interferiu no crescimento, fotossíntese e produção de oxigênio do Prochlorococcus, a bactéria fotossintética mais abundante do oceano”, diz Sasha Tetu, autora principal e pesquisadora da Universidade Macquarie, nos EUA, em comunicado à imprensa.
Estima-se que a poluição por plástico cause mais de 13 bilhões de dólares em prejuízos econômicos aos ecossistemas marinhos a cada ano, e a tendência é que o problema piore, de acordo com estimativas sobre a contaminação de plásticos no oceano até 2050. “Essa poluição pode liberar uma variedade de aditivos químicos em ambientes marinhos, mas ao contrário das ameaças que os animais sofrem ao ingerir ou se emaranhar em detritos plásticos, a ameaça que essas liberações químicas representam para a vida marinha recebeu relativamente pouca atenção”, diz Lisa Moore, co-autora do artigo.
Pensando nessa falta de estudos a respeito do potencial devastador dos elementos químicos que vazam nos oceanos através do plástico, as pesquisadoras analisaram os efeitos que esses produtos têm sobre a menor forma de vida em nossos oceanos, as bactérias marinhas fotossintéticas. “Nós olhamos para um grupo de pequenas bactérias verdes chamadas Prochlorococcus, que é o organismo fotossintético mais abundante na Terra, com uma população global de cerca de três octilhões de indivíduos”, diz Sasha.
Esses micróbios são grandes responsáveis pela produção de carboidratos e oxigênio no oceano através da fotossíntese. “Esses microrganismos minúsculos são fundamentais para a cadeia alimentar marinha, contribuem para o ciclo de carbono e são responsáveis ​​por até 10% da produção total global de oxigênio”, diz Lisa, explicando a importância fundamental desses micróbios para a saúde dos oceanos. “Assim, uma em cada dez respirações que você faz é graças a esses pequenos seres, mas quase nada se sabe sobre como as bactérias marinhas, como o Prochlorococcus, respondem aos poluentes humanos”.
No laboratório, a equipe expôs duas linhagens de Prochlorococcus encontradas em diferentes profundidades do oceano a produtos químicos lixiviados de dois produtos plásticos comuns – sacolas de plástico cinza (feitas de polietileno de alta densidade) e esteiras de PVC. Eles descobriram que a exposição a esses produtos químicos prejudicava o crescimento e a função desses micróbios – incluindo a quantidade de oxigênio que eles produzem – além de alterar a expressão de um grande número de seus genes.
“Nossos dados mostram que a poluição por plásticos pode ter impactos generalizados sobre os ecossistemas, além dos efeitos conhecidos sobre os macroorganismos, como aves marinhas e tartarugas. Se realmente quisermos entender o impacto total da poluição plástica no ambiente marinho e encontrar formas de mitigá-lo, precisamos considerar seu impacto nos principais grupos microbianos, incluindo os micróbios fotossintéticos”, diz Sasha.
“Este estudo revelou um novo e inesperado perigo da poluição por plástico. Se a gestão de resíduos plásticos for deixada desacompanhada, as populações de prochlorococcus poderiam diminuir em alguns locais, o que poderia afetar os outros organismos que dependem de prochlorococcus para a alimentação. É possível que alguns prochlorococcus já sejam afetados quando próximos a plásticos”, diz Moore em entrevista ao jornal inglês The Independent.
A boa notícia é que ainda há tempo de mudar essa realidade. “Seriam décadas até que plástico suficiente se acumulasse nos oceanos para afetar as populações de prochlorococcus em escala global”, diz Moore na mesma entrevista. Segundo as pesquisadoras, o próximo passo é a realização de testes de campo para continuar entendendo o impacto da poluição do plástico nos oceanos.

Créditos: Hypescience