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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Esqueletos com cabeças “alienígenas” são encontrados na Croácia

Arqueólogos descobriram três crânios estranhos na Croácia, dois deles artificialmente modificados e pontudos como “alienígenas”.
Uma das hipóteses dos pesquisadores é de que as modificações foram realizadas para mostrar que os indivíduos pertenciam a determinados grupos culturais.
O estudo
Embora o recente achado pareça estranho, a prática da deformação cranial já foi relatada em diferentes partes do mundo, da Eurásia até a África e a América do Sul. O exemplo mais antigo conhecido pelos pesquisadores veio da China há 12.000 anos.
Geralmente, a modificação é feita através do uso de ataduras bem apertadas ou ferramentas rígidas enquanto o indivíduo ainda é criança e possui um crânio maleável. As razões para a prática podem variar de indicar status social a motivos estéticos.
Os arqueólogos descobriram os três esqueletos do novo estudo em uma sepultura no sítio arqueológico Hermanov Vinograd, na Croácia, em 2013. Eles foram analisados entre 2014 e 2017 por várias técnicas, incluindo exame de DNA e imagens radiográficas. Todos pertenciam a homens malnutridos que morreram jovens, entre os 12 e 16 anos.
Os pesquisadores não sabem como os rapazes morreram. Eles podem ter falecido devido à má nutrição, ou ter tido “algum tipo de doença que os matou rapidamente e não deixou vestígios em seus ossos”, como a peste, conforme explica o principal autor do estudo, Mario Novak, bioarqueólogo do Instituto de Pesquisa Antropológica em Zagreb (Croácia).
Os esqueletos datam entre 415 e 560 dC, uma época conhecida como Grande Período Migratório, um período turbulento da história da Europa. Os esqueletos pareciam ter diferentes ancestralidades: um da Eurásia Ocidental, outro do Oriente Médio e outro do Leste Asiático.
Novak esclarece que, após a queda do Império Romano, populações e culturas completamente novas começaram a aparecer na Europa, tornando-se a base para as nações modernas do continente. “Em outras palavras, este período estabeleceu as fundações da Europa como a conhecemos hoje”, completou.
O garoto de ascendência oriental tinha uma deformação craniana do tipo ereto-circular, o que significa que o osso frontal atrás da testa foi achatado e a altura do crânio “aumentada significativamente”, de acordo com Novak. Já o do Leste Asiático tinha um crânio com uma deformação do tipo oblíqua, o que significa que o seu crânio foi alongado diagonalmente para cima. O menino que provavelmente veio da Eurásia Ocidental não possuía deformações.
“Propomos que diferentes tipos de deformação craniana na Europa foram usados como um indicador visual de associação com um certo grupo cultural”, resumiu Novak.
Os pesquisadores não podem dizer ainda a que grupos culturais cada um dos meninos pertencia, mas creem que o do Leste Asiático fosse um huno.

Créditos: Hypescience

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Um lagarto de quatro olhos caminhou pela Terra há 49 milhões de anos

Se você vivesse onde hoje é Wyoming, há 49 milhões de anos, poderia ter visto um lagarto de quatro olhos – o primeiro e único exemplo conhecido de uma criatura de vertebrados com mandíbula.
A espécie, um lagarto monitor extinto chamado Saniwa ensidens, tinha dois olhos padrões e também ostentava os chamados “olhos” pineais e parapineais no topo de sua cabeça.
Os pesquisadores descobriram isso observando mais de perto dois fósseis de S. ensidens que foram desenterrados em Wyoming, no ano de 1871. Varreduras detalhadas de raios X, geradas usando tomografia computadorizada, revelaram dois buracos no topo do crânio do lagarto. Os buracos teriam conectado o cérebro do lagarto a estruturas parecidas com as pálpebras, chamadas de órgãos pineais e parapiníferos, relatou a equipe na Current Biology.
Muitos vertebrados vivos hoje – como algumas tartarugas, lagartos e peixes – têm um terceiro “olho” no alto da cabeça, o que pode ser importante para a direção do sentido ou para regular o relógio biológico do animal. Mas, além das lampreias sem mandíbula, o lagarto monitor extinto é o único vertebrado conhecido por ter dois olhos adicionais.
Não está claro para que o S. ensidens usou esses olhos, mas os pesquisadores acham que as estruturas sensíveis à luz podem ter agido como uma bússola, ajudando o lagarto a descobrir em que direção estava.

Créditos: SoCientífica

domingo, 16 de junho de 2019

Cabeça decepada gigante de lobo de 40.000 anos atrás é desenterrada na Sibéria

Uma enorme cabeça de lobo da última Idade do Gelo foi encontrada em boas condições de preservação na Sibéria. Ela ficou sepultada no deserto congelado por cerca de 40 mil anos.
A cabeça gigante, descoberta por um morador local em 2018 ao longo das margens do rio Tirekhtyakh na República Russa de Sakha, mede 40 centímetros de comprimento, o que a torna diferente de qualquer espécime de lobo antigo já estudado.
“Esta é uma descoberta única do primeiro remanescente de um lobo do Pleistoceno totalmente crescido com tecido preservado”, disse o paleontologista Albert Protopopov, da Academia de Ciências da República de Sakha, ao jornal The Siberian Times. “Vamos compará-lo com lobos modernos para entender como a espécie evoluiu e reconstruir sua aparência”.
O achado é mais um animal surpreendentemente bem preservado recuperado na região de Sakha, também conhecida como Yakutia. Espécimes de leão-da-caverna extremamente conservados foram descobertos na mesma região anos atrás.
Os pelos, as presas, o tecido da pele e até o tecido cerebral do lobo adulto parecem estar intactos. Ele provavelmente tinha dois a quatro anos de idade quando faleceu.
Uma equipe formada por Protopopov e cientistas da Suécia e do Japão estudará a cabeça em maior detalhe, incluindo uma análise de DNA e o uso de técnicas tomográficas para enxergar de forma não invasiva o interior do crânio.
Encontrar crânios de lobo no permafrost siberiano em derretimento não é incomum, mas eles raramente estão no mesmo nível que este predador antigo.
“Vários filhotes já foram encontrados”, disse Protopopov à agência russa de notícias Interfax. “A singularidade deste achado é que encontramos a cabeça de um lobo adulto com tecidos moles e cérebro perfeitamente preservados”.
Ao lado do lobo, os cientistas também vão examinar um filhote de leão-da-caverna recém-descoberto, que parece ser uma fêmea. Os pesquisadores acreditam que ela morreu pouco depois de nascer e foi igualmente bem preservada no gelo.
“Seus músculos, órgãos e cérebros estão em boas condições”, contou o paleontólogo Naoki Suzuki, da Escola de Medicina da Universidade Jikei, em Tóquio, ao Asahi Shimbun. “Queremos avaliar suas capacidades físicas e ecológicas, comparando-os com leões e lobos de hoje”.

Créditos: Hypescience

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Cardume de centenas de peixes com 50 milhões de anos

Um pedaço de calcário da Formação de Fósseis do Rio Verde, na América do Norte, se tornou o local de descanso final de nada menos que 259 peixes da extinta espécie Erismatopterus levatus.
O cardume de 50 milhões de anos atrás provavelmente ficou preso e foi fossilizado depois que uma duna de areia desmoronou em cima das minúsculas criaturas em águas rasas.
Segundo pesquisadores da Universidade Estadual do Arizona (EUA) e do Museu Memorial Mizuta (Japão), esses peixes costumavam viver nos lagos montanhosos da região de Rio Verde (Green River) durante o Eoceno, época que ocorreu de 56 a 34 milhões de anos atrás.
Um E. levatus adulto teria cerca de 6,5 centímetros de comprimento, mas estes eram bebês – muitos dos peixes fossilizados mal excediam 20 milímetros.
Os animais podem até ser minúsculos, mas sua descoberta é gigante. Fósseis nos oferecem vislumbres importantes do passado da Terra e de como os animais antigos se comportavam.
Por exemplo, os cientistas assumiam que peixes se reuniam em cardumes há um bom tempo, mas agora temos prova deste comportamento antigo, perfeitamente gravado em pedra.
A equipe de cientistas mediu todos os peixes, mapeou suas posições e realizou 1.000 simulações diferentes do movimento do cardume.
A descoberta revela que os peixes realmente andam juntos por pelo menos 50 milhões de anos. O que é ainda mais fascinante é que as espécies que nadam em cardume hoje são evolutivamente distintas desses peixes do Eoceno.
É provável que esses minúsculos animais fizessem isso pelo mesmo motivo que peixes ainda se reúnem em grandes grupos atualmente: para tentar reduzir suas chances de serem engolidos por um predador.

Créditos: Hypescience