quinta-feira, 14 de novembro de 2019

SALIVA NÃO MATA A SEDE, E O MOTIVO É SIMPLES. SAIBA POR QUÊ

Você produz de um a dois litros por dia – e grande parte fica no seu travesseiro, fala a verdade. Estamos falando da saliva! Dentro de suas bochechas, duas glândulas são responsáveis por toda essa baba, que, em 70 anos, poderia, inclusive, encher uma piscina.
Você já conferiu 5 curiosidades sobre o “produto”, mas uma pergunta ainda precisa ser respondida. Afinal, por que é que saliva não mata a sede? Em entrevista ao Life Science, o Dr. Len Horovitz, de Nova York, trouxe a resposta.
Apesar de ser composta por 98% de água, ela é um fluido concentrado repleto de enzimas e proteínas. Quanto mais concentrada a substância, mais difícil é o processo de absorção pelo corpo – o que exige uma quantidade maior de água para o processo de osmose, levando, consequentemente, à desidratação.
Sabe aquela sede que só pode ser saciada com um copo de água bem gelado? Isso acontece justamente porque, ao tomá-la, o trabalho de absorção é muito menor. As células desidratadas é que são beneficiadas e recebem a água, não havendo mais perda de líquido para o “preparo” do que foi ingerido. Resumindo: a saliva não é líquida o suficiente para matar a sede.
É preciso lembrar que, quanto mais sede temos, mais concentrada fica a saliva. Nosso corpo é feito de substâncias salinas – e é justo que elas sejam repostas, certo? Quando o sistema fica “descompensado”, o organismo acaba ficando com menos água para “desperdiçar” com outros processos, como a produção de saliva. Até mesmo a urina fica mais escura na desidratação devido ao mesmo motivo.
Outros fluidos mais concentrados que a saliva são o sangue e o pus. Tirando vampiros, que se alimentam muito bem de fluido, obrigado, infelizmente a saliva não é a solução para a escassez de água potável no mundo. Entretanto, ela é extremamente importante. Além de lubrificar os alimentos para facilitar a mastigação e a digestão, suas enzimas ajudam a quebrar carboidratos, gorduras e proteínas. É também uma poderosa substância antibacteriana.
Agora você sabe por que acorda com tanta sede mesmo babando tanto durante a noite, não é?

Créditos: Megacurioso

O misterioso “Monstro Tully” acaba de ficar ainda mais esquisito



    Um fóssil de 300 mil anos descoberto na década de 1950 no estado de Illinois (EUA) tem gerado muitas discussões entre cientistas. Batizado de Tullimonstrum, ou Monstro Tully, ele se parece com uma lesma. Mas ao invés de ter uma abertura bucal ele tem um apêndice com duas garras, e seus olhos são saltados.
    Tully é tão estranho que os especialistas nem conseguem entrar em consenso se ele é um vertebrado ou um invertebrado. Em 2016, um grupo de cientistas afirmou ter resolvido o mistério de Tully, fornecendo a evidência mais forte até então de que ele era um vertebrado.
    Mas um segundo estudo de outra equipe de pesquisadores questiona esses resultados. O estudo de 2016 defende que o fóssil é de vertebrado porque seus olhos contêm pigmentos granulados chamados melanosomas, que são organizados por formato e tamanho da mesma forma que acontece nos olhos dos vertebrados.
    Já o segundo estudo mostrou que os olhos de alguns invertebrados como o polvo e a lula também contém melanosomas com formato e tamanho semelhantes aos encontrados nos olhos de Tully.
    “Analisamos então a composição química dos olhos de Tully e a proporção de zinco para cobre era mais parecida com aquela de invertebrados do que vertebrados. Isso sugere que o animal pode não ter sido um vertebrado, contradizendo esforços anteriores de classificação”, diz o autor do estudo mais recente, Chris Rogers, em relato publicado no The Conversarion.
    Os pesquisadores também identificaram o cobre dos olhos do fóssil como de um tipo diferente do encontrado nos olhos dos vertebrados. Mas o cobre também não era idêntico aos invertebrados estudados.
    Para responder de uma vez por todas que tipo de grupo de animais pertence Tully, os pesquisadores propõem que uma análise mais extensa das substâncias químicas dos melanosomas e outros pigmentos nos olhos de invertebrados.
    O Monstro Tully tem este nome porque foi descoberto pelo colecionador de fósseis Francis Tully. O fóssil é tão popular na região que foi eleito o fóssil-símbolo do estado de Illinois.

    Créditos: Hypescience

    terça-feira, 5 de novembro de 2019

    Adivinhe quanto tempo você leva para reconhecer uma música. Errou!

    Quanto tempo você acha que seu cérebro demora para reconhecer uma música familiar? Já adianto: é menos do que você espera.
    Imagino que você pensa que leva alguns segundos ouvindo aquela canção que você adora no rádio para saber de qual se trata, mas, na verdade, segundo um estudo da Universidade College London (Reino Unido), seu cérebro precisa de menos de um único segundo.
    Cinco homens e cinco mulheres participaram do estudo. Cada um informou cinco músicas familiares a eles.
    Os pesquisadores, em seguida, escolheram uma das músicas para cada participantes, bem como procuraram uma segunda canção similar em ritmo, melodia, harmonia, vocais e instrumentação que não fosse familiar aos indivíduos.
    Na próxima etapa, os participantes escutaram 100 pedaços de canções familiares e não familiares com menos de um segundo, em ordem aleatória.
    Para medir sua resposta aos trechos, os cientistas utilizaram eletroencefalografia, que registra a atividade elétrica do cérebro, bem pupilometria, uma técnica que mede o diâmetro da pupila e é uma medida conhecida do nível de excitação de um indivíduo.
    As medidas indicaram que o cérebro humano precisa de apenas 100 microssegundos de som para reconhecer uma música familiar.
    O tempo médio de reconhecimento foi de 100 a 300 microssegundos, conforme revelado pela dilatação rápida da pupila (ligada à excitação de ouvir uma canção conhecida) e pela ativação cortical do cérebro (área relacionada à memória).
    Um grupo de controle de estudantes internacionais que não conhecia nenhuma das canções tocadas mostrou que não houve diferenças entre os trechos que eles ouviram, confirmando os resultados.
    “Nossos resultados demonstram que o reconhecimento de músicas familiares acontece notavelmente rapidamente. Essas descobertas apontam para circuitos temporais muito rápidos e são consistentes com o domínio profundo que peças de música altamente familiares têm em nossa memória”, conclui a principal autora do estudo, a professora do Instituto do Ouvido da Universidade College London Maria Chait.

    Créditos: Hypescience

    Este pedaço de colar de 40.000 anos não foi feito pelos humanos

    As garras da águia são consideradas como os primeiros elementos usados pelos Neandertais para fazer jóias, uma prática que se espalhou pelo sul da Europa há cerca de 120.000 a 40.000 anos. Agora, pela primeira vez, os pesquisadores encontraram evidências dos usos ornamentais das garras de águia na Península Ibérica.
    Um artigo publicado na capa da revista Science Advances fala sobre as descobertas, que se realizaram no sítio arqueológico da Cave Foradada, em Calafell. O estudo foi liderado por Antonio Rodríguez-Hidalgo, pesquisador do Instituto de Evolução na África (IDEA) e membro da equipe de pesquisa em um projeto do Seminário de Estudos Pré-históricos e Pesquisa (SERP) da UB.
    O interesse nestes resultados reside no fato de que é a peça mais moderna do gênero até agora em relação ao período Neandertal e a primeira encontrada na Península Ibérica. Esta descoberta alarga os limites temporais e geográficos estimados para este tipo de ornamentos de Neandertal. Este seria “o último colar feito pelos Neandertais”, segundo Antonio Rodríguez-Hidalgo.
    “Os neandertais usaram garras de águia como elementos simbólicos, provavelmente como pingentes de colar, desde o início do Paleolítico Médio”, observa Antonio Rodríguez-Hidalgo. Em particular, o que os pesquisadores encontraram em Cova Foradada são restos de ossos de uma águia imperial espanhola (Aquila Adalberti), de mais de 39.000 anos atrás, com algumas marcas que mostram que estes foram usados para tomar as garras para fazer pingentes. Os restos correspondem à perna esquerda de uma grande águia. Pela aparência das marcas, e analogia com os restos mortais de diferentes sítios pré-históricos e documentação etnográfica, os pesquisadores determinaram que o animal não era usado para consumo, mas por razões simbólicas. As garras de águia são os elementos ornamentais mais antigos conhecidos na Europa, ainda mais antigos que as conchas do mar perfuradas pelos Homo sapiens sapiens no norte da África.
    Os achados pertencem à cultura Châtelperroniana, típica dos últimos Neandertais que viveram na Europa, e coincidem com o momento em que esta espécie entrou em contato com o Homo sapiens sapiens da África e se espalhou pelo Oriente Médio.Garras de águia imperial. Crédito: Antonio Rodríguez-Hidalgo
    Juan Ignacio Morales, pesquisador do programa Juan de la Cierva afiliado ao SERP e autor do artigo, sugere que este uso de garras de águia como ornamentos poderia ter sido uma transmissão cultural dos Neandertais aos humanos modernos, que adotaram esta prática depois de chegar à Europa.
    Cova Foradada abrange o sítio mais meridional da cultura Châtelperroniana na Europa. A descoberta envolveu uma mudança no mapa do território onde a mudança do Paleolítico Médio para o Paleolítico Superior ocorreu há 40.000 anos, e onde a interação entre Neandertais e Homo sapiens sapiens provavelmente ocorreu.
    Os estudos na Cova Foradada começaram em 1997. No momento, a supervisão da escavação é conduzida por Juan Ignacio Morales e Artur Cebrià. O estudo arqueológico deste sítio está incluído num projeto SERP financiado pelo Departamento de Cultura do Governo Catalão e outro financiado pelo Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, liderado pelo professor da UB e diretor do SERP Josep M Fullola.

    Créditos: Socientífica