sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Homem guarda rocha por anos pensando que é ouro – mas na verdade era um meteorito super raro


O que você você faria se encontrasse uma grande pepita de ouro? Algo bem mais impressionante aconteceu com o Australiano David Hole.

Hole estava armado de um detector de metais em Maryborough Regional Park, próximo de Melbourne, quando encontrou algo fora do comum – uma rocha avermelhada muito pesada repousando em uma argila amarela.

Certo de que haveria uma pepita de ouro dentro da rocha, ele a levou para casa.

Já em casa, ele tentou de todas as formas abrir a sua descoberta, mas tudo em vão. Ele se utilizou de uma serra de pedra, uma rebarbadora, uma broca, e até mesmo mergulhou a pedra em ácido, porém, não conseguiu sequer abrir uma rachadura.

Isso porque o que ele estava tentando abrir não era uma pepita de ouro, mas sim um meteorito raro – ele só descobriu isso anos depois.

Frustrado, mas ainda intrigado, David levou a pedra para o Museu de Melbourne para ser identificado.

“Ele tinha este visual esculpido e ondulado”, disse o geólogo Dermot Henry, do Melbourne Museum, ao The Sydney Morning Herald.

Os pesquisadores publicaram recentemente um artigo científico descrevendo o grande meteorito de 4,6 bilhões de anos, que pesa 17 quilogramas. Eles o batizaram de Maryborough em homenagem a cidade onde foi encontrado.

“Os meteoritos fornecem a forma mais barata de exploração espacial. Eles nos transportam de volta no tempo, fornecendo pistas sobre a idade, formação e química do nosso Sistema Solar (incluindo a Terra)”, explica Henry.

“Alguns também fornecem um vislumbre do interior profundo do nosso planeta. Em alguns meteoritos, há ‘poeira estelar’ ainda mais antiga que o nosso Sistema Solar, o que nos mostra como as estrelas se formam e evoluem para criar elementos da tabela periódica.”

“Outros meteoritos raros contêm moléculas orgânicas, como aminoácidos; os blocos de construção da vida”.

Datações por carbono sugerem que o meteorito esteve na Terra entre 100 e 1.000 anos, e houve vários avistamentos de meteoros entre 1889 e 1951 que podem corresponder à sua chegada ao nosso planeta.

Os pesquisadores argumentam que o meteorito de Maryborough é muito mais raro que o ouro. É um dos apenas 17 meteoritos já registrados no estado australiano de Victoria, e é a segunda maior massa condrítica, depois de um enorme exemplar de 55 quilos identificado em 2003.

Créditos: SoCientífica

Este meteorito pode nos contar a história do sistema solar


Em 2012, cientistas japoneses e belgas coletaram, na Antártica, uma pequena pedra negra que se destacava na monotonia branca do gelo e da neve. Este meteorito pode representar uma grande ajuda no entendimento da formação da vida pelo universo.

Com o tamanho aproximado de uma bola de golfe, e semelhante a um pedaço de carvão, tratava-se de um meteorito (nome que se dá a uma pedra espacial que chega ao solo). Ele foi chamado de Asuka 12236.

Desde então, lascas do meteorito foram distribuídas para diversos laboratórios do mundo, para estudá-lo. Recentemente, astrobiólogos do Goddard Space Flight Center, da NASA receberam uma dessas lascas.

Analisando, os cientistas descobriram que o meteorito contém uma abundância de aminoácidos. Nele há o equivalente ao dobro da concentração de aminoácidos em um meteorito semelhante, chamado Paris.

Aminoácidos são o principal ingrediente para a construção da proteína. Quando comemos alimentos, a digestão quebra as proteínas em aminoácidos e, depois, eles são realocados para criar proteínas específicas para nossas necessidades.

Dentre os aminoácidos identificados, dois dos principais são os ácidos aspártico e glutâmico. Eles fazem parte de um seleto grupo de 20 aminoácidos que são capazes de se juntar de inúmeras formas. Apenas esses 20 aminoácidos, em diferentes combinações, podem formar milhões de tipos de proteína.

“Os meteoritos estão nos dizendo que havia uma tendência inerente para os aminoácidos canhotos antes mesmo de a vida começar. O grande mistério é por quê”, diz o astrobiólogo Daniel P. Glavin em um comunicado.

‘Aminoácido canhoto’ é uma forma informal de se chamar os aminoácidos levógiros. A diferença entre os destros e os canhotos está na forma como refletem a luz. Isto é, os canhotos desviam a luz polarizada para a esquerda. Talvez você já tenha estudado um pouco de isomeria óptica no ensino médio.

Por alguns motivos técnicos, portanto, os levógiros são os aminoácidos que originam a vida.

O grande estado de conservação do Asuka 12236 se deve ao fato de que ele foi exposto a pouca água em estado líquido e pouco calor, tanto enquanto estava ao espaço, quando na Terra, já que caiu na Antártica, um verdadeiro deserto de gelo.

Afinal, diversos componentes presentes no meteorito seriam extremamente afetados pela água. O ferro iria enferrujar e o silicato seria destruído pela água, por exemplo. Ademais, ele é tão importante justamente pela conservação.

“É divertido pensar em como essas coisas caem na Terra e estão cheias de todas essas informações diferentes sobre como o sistema solar se formou, de onde ele se formou e como os elementos se formaram na galáxia”, diz Conel M. Alexander.

Esses meteoritos são restos de asteróides que, outrora, foram parte de objetos ainda maiores. Desde sua existência, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, junto com a formação do sistema solar, vagam por aí.

“Compreender os tipos de moléculas e sua destreza que estavam presentes nos primeiros dias do sistema solar nos deixa mais perto de saber como os planetas e a vida se formaram”, diz Jason P. Dworkin, um astrobiólogo da NASA.

Créditos: SoCientífica

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Novo paradoxo quântico revela contradições em nossa visão do Universo


Nós nos acostumamos com as explicações que a ciência nos dá sobre a natureza, frequentemente considerando-as como explicações definitivas. Mas não seja enganado pelas aparências: Poucas das nossas teorias - se é que alguma delas - pode ser considerada "definitiva". Afinal, além de extremamente jovem, a ciência é um edifício em permanente construção, e nossa compreensão da natureza está constantemente sendo "ajustada" para dar conta dos novos saberes. Kok-Wei Bong e colegas da Universidade Griffith, na Austrália, acabam de nos dar mais exemplo cabal dessa "insustentável fluidez do saber": Eles demonstraram que, quando se trata de certas teorias longamente aceitas sobre a natureza, "alguma coisa tem que ceder". A equipe de físicos descobriu um novo paradoxo envolvendo a mecânica quântica que estabelece que, entre três "crenças", deveremos abrir mão de pelo menos uma delas porque, juntas, elas não se sustentam. Apesar de excepcionalmente eficaz para predizer o que observamos em objetos minúsculos, como átomos, a aplicação da teoria quântica em escalas muito maiores do que os átomos - em particular para os observadores que fazem as medições - levanta questões conceituais difíceis. Quem começa explicando a situação e o paradoxo que ela engendra é o professor Eric Cavalcanti, um dos descobridores do novo paradoxo. "O paradoxo significa que, se a teoria quântica funcionar para descrever os observadores, os cientistas terão que desistir de uma de três suposições muito estimadas sobre o mundo. "A primeira hipótese é que, quando é feita uma medição, o resultado observado é um evento real e único no mundo. Essa suposição exclui, por exemplo, a ideia de que o Universo possa se dividir, com diferentes resultados sendo observados em diferentes universos paralelos. "O segundo pressuposto é que os cenários experimentais podem ser escolhidos livremente, permitindo-nos realizar testes aleatórios. E o terceiro pressuposto é que, uma vez que tal escolha é feita, sua influência não pode se espalhar no Universo mais rápido do que a luz. "Cada uma dessas suposições fundamentais parece inteiramente razoável e é amplamente aceita. No entanto, também é amplamente aceito que os experimentos quânticos podem ser escalonados para sistemas maiores, até mesmo ao nível de observadores. Mas nós demonstramos que uma dessas crenças amplamente aceitas deve estar errada! E abandonar qualquer uma delas tem consequências de longo alcance para nossa compreensão do mundo," disse Cavalcanti.

A equipe estabeleceu o paradoxo analisando um cenário com partículas quânticas entrelaçadas bem separadas, combinadas com um "observador" quântico - um sistema quântico que pode ser manipulado e medido de fora, mas que pode ele mesmo fazer medições em uma partícula. "Com base nas três hipóteses fundamentais, nós determinamos matematicamente os limites de quais resultados experimentais são possíveis nesse cenário. Mas a teoria quântica, quando aplicada aos observadores, prevê resultados que violam esses limites. Na verdade, nós já fizemos um experimento de prova de conceito usando fótons entrelaçados (partículas de luz). E encontramos uma violação exatamente como a teoria quântica previu. "Mas nosso 'observador' tinha um cérebro muito pequeno, por assim dizer. Ele tem apenas dois estados de memória, que são implementados como dois caminhos diferentes para um fóton. É por isso que o chamamos de experimento de prova de princípio, não de uma demonstração conclusiva de que um dos três pressupostos fundamentais em nosso paradoxo deve estar errado," ponderou Tischler. "Para uma implementação mais definitiva do paradoxo, nosso experimento onírico [experimento mental] é aquele em que o observador quântico é um programa de inteligência artificial de nível humano rodando em um computador quântico gigantesco. "Esse seria um teste bastante convincente para saber se a teoria quântica falha para os observadores ou se uma das três suposições fundamentais é falsa. Mas isso provavelmente está a décadas de distância [de poder ser realizado experimentalmente]", acrescentou o professor Howard Wiseman.

Mas o que são algumas poucas décadas de espera para esclarecer questões que vão muito além de um problema estrito de mecânica quântica, alcançando debates feitos há milênios em nossa tradição cultural? Afinal, quem não se interessa em saber se existem mesmo universos paralelos, com outros "nós" seguindo histórias pessoais totalmente diferentes, e com novas histórias emergindo a cada vez que tomamos uma decisão? Ou se nossa capacidade de influenciar a realidade é tamanha que podemos mudar as coisas por simplesmente observá-las, deixando o efeito borboleta no chinelo? Ou ainda, se nossas decisões se espalham pela realidade instantaneamente, como parece acontecer com as influências instantâneas compartilhadas pelas partículas ligadas pelo entrelaçamento quântico? "Há muito se reconhece que os computadores quânticos irão revolucionar nossa capacidade de resolver problemas computacionais difíceis. "O que não percebemos até começarmos esta pesquisa é que eles também podem ajudar a responder complicados problemas filosóficos - a natureza do mundo físico, o mundo mental e seu relacionamento," disse o professor Wiseman.

Créditos: Inovação Tecnológica

O que aconteceria se você caísse em um buraco negro?


Buracos negros são os objetos espaciais mais admirados pelas pessoas, e um dos alvos das maiores curiosidades, tanto pela cultura pop quanto pelos cientistas. Afinal, o que aconteceria se você caísse em um buraco negro?

Interestelar é, com certeza, o maior símbolo das imaginações poéticas de como é cair no buraco negro. Lá (sem dar spoilers), Cooper acaba tendo acesso ao passado e caindo em um loop temporal e de acontecimentos.

Sem mais delongas, vamos direto ao ponto. Você já deve ter visto uma foto de um quasar, certo? Quaisquer dos núcleos galácticos ativos possuem algo que chamamos de disco de acreção.

Como o próprio nome sugere, um disco de acreção é um “disco”, que forma uma fila para a matéria entrar no buraco negro. Diferente do que todos pensam, um buraco negro não simplesmente engole um corpo.

Buracos negros são capazes de engolir objetos, em volume, muito maiores do que ele próprio, isso porque sua massa é extremamente concentrada. Por exemplo, o diâmetro do Sol é de 1.400.000 quilômetros. Um buraco negro com a mesma massa do Sol teria apenas 6 quilômetros de diâmetro.

O disco de acreção não ocorre porque o universo é inteligente e pensou em cada detalhe, mas simplesmente por um motivo: a física. A imensa gravidade de um buraco negro causa isso.

Em resumo, quanto mais próximo do centro do objeto, maior a força da gravidade. Em uma gravidade como a da Terra, é difícil notar essa diferença em distâncias muito pequenas.

Entretanto, em buracos negros, falamos em escalas inimagináveis. Um metro de distância já é coisa de outro mundo. Portanto, cada parte do objeto é puxada com uma força diferente, como se estivesse sendo desfiado.

É nessa linda dança de dilaceração da matéria, que forma-se o disco de acreção. E você viraria algo semelhante. Você seria esticado, já que seus pés estariam mais próximos do que sua cabeça. Isso é conhecido como espaguetificação. Após ser dolorosamente esticado (mentira, nem daria tempo de sentir a espaguetificação), e tornar-se muita energia, você seria engolido pela obscuridade do objeto mais desconhecido e misterioso do universo.

Nem tudo, na verdade, é engolido. Já falamos aqui sobre o processo Penrose. Ele basicamente consiste na retirada de energia de um buraco negro através da força da gravidade e da rotação.

Esse caso seria exclusivo de um buraco negro rotativo. Você poderia ser catapultado pela distorção do espaço causada pela rotação. Mas mesmo nos outros buracos negros, é possível que radiação e matéria sejam catapultadas para fora.

O ponto realmente sem volta é o horizonte de eventos. De lá, nada escapa, a não ser pela radiação Hawking, mas isso não vem ao caso. A questão é: não sabemos o que há lá dentro.

Poderia ser, o buraco negro, um portal que dá em um buraco branco em outro universo? Sim. Pode ser simplesmente um portal para o nada? Também. Realmente não sabemos de nada além do horizonte de eventos. E não seria possível nada sobreviver a essa entrada para nos contar sobre, se você caísse em um buraco negro.

Créditos: SoCientífica