domingo, 1 de setembro de 2019

Ondas cerebrais são detectadas em "mini-cérebros" criados em laboratório

Uma equipe de cientistas comandada pelo brasileiro Alysson Muotri observou pela primeira vez a existência de redes neurais funcionais em "mini-cérebros" criados em laboratório. Um artigo sobre o assunto foi publicado na revista científica Cell Press no final de agosto.
Os especialistas responsáveis pela descoberta relatam que, apesar de serem 1 milhão de vezes menores que os cérebros humanos, esses "mini-cérebros" cultivados em laboratório são os primeiros a produzir ondas cerebrais semelhantes às de bebês prematuros.
"O nível de atividade neural que estamos vendo é sem precedentes in vitro", disse Alysson Muotri, que é biólogo da Universidade da Califórnia, em comunicado. "Estamos um passo mais perto de ter um modelo que possa realmente gerar esses estágios iniciais de uma sofisticada rede neural".
Os protótipos, chamados de "organoides cerebrais", têm o tamanho de uma ervilha e são derivados de células-tronco humanas. Para desenvolver a pesquisa, foi necessário colocá-las em uma cultura que imitasse o ambiente do desenvolvimento cerebral, possibilitando que as células-tronco se diferenciassem em diferentes tipos de células cerebrais e se organizassem em uma estrutura parecida com a do órgão.
As redes neurais surgem quando neurônios se interconectam, o que é essencial para a atividade nervosa — e foi justamente isso que a equipe conseguiu fazer. Após meses de experimentações e análises, os pesquisadores não só observaram essas atividades, como também descobriram que, com o crescimento dos organoides, aumentavam também os diferentes tipos de ondas cerebrais.
Para os especialistas, o fato sugere que os organoides desenvolveram ainda mais suas redes neurais. "Isso é resultado de existir mais sinapses funcionais e estar formando mais conexões entre os neurônios. As interações entre neurônios contribuem para sinais em várias frequências", explicou Muotri.
No entanto, não é provável que esses "mini-cérebros" tenham atividades mentais, como a consciência. Como ainda são parte de um modelo muito rudimentar, outras estruturas cerebrais não estão presentes. "Essas ondas cerebrais podem não ter nada a ver com atividades em cérebros reais", ponderou o especialista. "Pode ser que, no futuro, tenhamos algo muito próximo dos sinais dos cérebros humanos que controlam comportamentos, pensamentos ou memória".

Créditos: Galileu

Macaco afia uma pedra e depois a usa para quebrar o vidro de seu cativeiro


Um macaco-prego-de-cara-branca espantou geral no zoológico de Zhengzhou, na China, quando usou uma pedra para quebrar o vidro de seu confinamento – nem mesmo ele resistiu ao susto.
Os visitantes acabaram se tornando testemunhas de algo um tanto inesperado: o aparentemente inocente macaco foi visto afiando uma pedra e depois usando-a para bater repetidamente no vidro de seu recinto. Ele não devia saber direito o que o esperava, porque assustou-se quando toda a tela se trincou a sua frente.
Um dos funcionários do zoológico, Tian Shuliao, disse à mídia que “este macaco é diferente” e “sabe usar ferramentas para quebrar nozes”. “Quando damos nozes a outros macacos, eles sabem apenas mordê-la”, explicou.
Obviamente, o malandrinho nunca havia atingido o vidro antes. Depois do incidente, os funcionários recolheram todas as potenciais “armas” do recinto onde ele vive. Danou-se! Nada de fuga para o cara-branca.
Sabemos que primatas são muito inteligentes e sabem usar diversas ferramentas. Chipanzés, por exemplo, já foram observados usando paus e pedras para manusear e quebrar objetos.
Mas, antes de temer algum tipo de revolução à la Planeta dos Macacos, vale notar que diversos outros animais também foram registrados utilizando ferramentas, desde corvos até polvos. Mesmo lontras, que parecem apenas bichos de pelúcia, usam pedras para quebrar conchas de abalone.
Claro, esta é a primeira vez que algum animal parece elaborar um plano de escape de um zoológico – e se for mesmo o caso, o macaco é ainda mais esperto do que deixa transparecer, porque fingiu surpresa astutamente.

Créditos: Hypescience

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Cientistas descobrem vulcão que mudou a história da América Latina

Segundo o estudo publicado na revista Quaternary Science Reviews, até o gelo da Groenlândia e Antártida contêm vestígios da erupção. Atualmente o vulcão não está ativo, mas cientistas consideram que no século VI o vulcão expulsou cerca de 430 quilômetros cúbicos de rocha densa, o que fez dessa erupção a maior nos últimos 7.000 anos.
A erupção foi tão forte que mudou completamente os assentamentos dos maias e o futuro deste povo, causando até uma interrupção na criação de construções de pedra, inexplicável até aos nossos dias.
Além disso, o estudo revela outro mistério da história do mundo: a origem da neblina preta que tapou o Sol e causou múltiplas mortes até 536 d.C. Antes, os cientistas pensavam que aquela nuvem representava os restos de um asteroide ou de um cometa. Os dados obtidos recentemente revelam a origem vulcânica deste fenômeno.
Núcleos de gelo na Groenlândia e Antártida mostram que nos anos 536, 539 e 540 houve subprodutos de grandes erupções – picos de sulfato. Geólogos acreditavam que tenha havido duas erupções: primeiro em 536 de um vulcão no Alasca ou Islândia modernas, e o segundo em 539 ou 540 nos trópicos, mas não se tinha descoberto quais eram exatamente esses vulcões.
Para realizar a identificação, cientistas decidiram fazer uma análise da vegetação daquele tempo que devia conter os rastros de vulcões.
Eles descobriram a existência de um canteiro a 16 quilômetros de Ilopango. Trabalhadores que escavavam lá disseram que tinham encontrado árvores na formação rochosa que provocou a erupção cuja cinza cobriu as árvores.
Devido ao fato que as árvores estavam tão bem conservadas, os cientistas conseguiram ficar a saber quantos anos elas tinham quando foram mortas pela erupção de Ilopango. Os dados mostram que as árvores morreram provavelmente entre os anos de 530 e 540 d.C.
Entretanto, só uma erupção nos dados obtidos das análises do gelo da Groenlândia e Antártida coincide com este momento, com a dimensão e efeito no clima mundial, quer dizer, aquela que ocorreu em 539 ou 540 – a erupção de Ilopango.
'Erupção de pesadelo'
Além das consequências climáticas, a erupção de Ilopango foi considerada pelas pessoas da época como um evento apocalíptico. Pesquisadores estimam que entre 40.000 e 80.000 pessoas morreram da própria erupção, sufocadas por gás e pelas pedras que o Ilopango cuspiu.
Para as populações da periferia, a erupção do Ilopango também deve ter sido um pesadelo. As cinzas provavelmente apagaram o Sol do céu e transformaram o dia em noite. As casas provavelmente foram destruídas, as pessoas sofreram escassez de comida e água, com campos cobertos de cinzas. Segundo estimativas, entre 100.000 e 400.000 pessoas foram afetadas. Aqueles que não morreram de fome ou doenças foram obrigados a fugir para os lugares menos afetados, para o norte da atual Guatemala.
"Trata-se de uma erupção de pesadelo", diz Janine Krippner, vulcanologista citada por National Geographic, que não participou do estudo.
"Mesmo com a ciência e o conhecimento que temos hoje, isso seria um evento realmente assustador. Posso imaginar o que as pessoas daquele tempo pensavam que estava acontecendo."

Créditos: Sputnik

Anel de carbono puro é sintetizado pela primeira vez

Depois de inúmeras tentativas e igual número de desistências de várias equipes, Katharina Kaiser e colegas da IBM Research e da Universidade de Oxford conseguiram sintetizar a primeira molécula de carbono em formato de anel.
O ciclocarbono, ou carbono cíclico, é um anel composto de 18 átomos do elemento.
As análises iniciais do grupo indicam que as propriedades dessa molécula tornam-na um semicondutor, o que abriria várias possibilidades de uso no campo da eletrônica orgânica, a eletrônica feita com componentes à base de carbono.
A conexão desse C18 cíclico ao grafeno é outra possibilidade, o que exigirá novos testes e desenvolvimentos, mas com enorme potencial de uso.
O ciclocarbono é uma nova forma de carbono puro, vindo juntar-se ao diamante, grafite, grafeno, nanotubos e aos fulerenos.
Embora estes últimos sejam moléculas 3D, em formato de esfera, ninguém havia conseguido fazer um anel de carbono porque, nesse caso, cada átomo liga-se a apenas outros dois. No diamante, os átomos de carbono formam pirâmides, ligando-se a quatro companheiros; nos padrões hexagonais do grafeno, cada um liga-se a outros três, o mesmo acontecendo no grafite, nos nanotubos de carbono e nas moléculas globulares dos fulerenos.
As teorias indicavam que o carbono também poderia formar ligações com apenas dois companheiros, permitindo criar nanofios e anéis de carbono, mas ninguém havia conseguido fazer isso na prática. No anel, cada átomo de carbono pode formar uma ligação dupla em cada lado, compartilhando dois elétrons, ou uma ligação tripla em um lado e uma ligação simples no outro.
A síntese do ciclocarbono começou com triângulos, com átomos de carbono unidos dois a dois e intercalados com átomos de oxigênio nas arestas, formando uma molécula C24O6. Manipulando os átomos com cuidado e paciência, usando a ponta de um microscópio de força atômica, Katharina finalmente conseguiu remover todos os oxigênios, restando então o ciclo[18]carbono, com ligações duplas e triplas alternadas entre os átomos.
Como só é possível fazer uma molécula de cada vez, e mediante um trabalhão tedioso, a equipe afirma que irá trabalhar em técnicas que permitam a produção do ciclocarbono em maiores quantidades, o que facilitará a caracterização detalhada da molécula.

Créditos: Inovação Tecnológica